Era mais uma segunda-feira como todas as outras. Paulo havia passado o final de semana inteiro relembrando algumas fotos antigas que havia encontrado naquelas gavetas esquecidas do quarto. Talvez a única forma de seus pais lhe notarem fosse ficando um pouco ausente e silencioso em seu quarto. Pelo visto seu plano não deu muito certo, porque como vocês sabem, adultos estão ocupados demais pensando na conta de luz, em política, no trabalho, na rotina da próxima semana e vida de adulto é sempre uma correria.
Ao contrário de casa, Paulo nunca passava desapercebido na escola. Por onde ia sempre contagiava a todos com a sua alegria e jeito engraçado de ser. O garoto vivia cercado de pessoas ao seu redor, todos queriam sentar perto dele, pois segundo falavam, ele era o mais engraçadinho da turma. O rapaz sempre carregava seu fone de ouvido azul, (caso não reparassem era a cor preferida dele) que carregava consigo todos os dias no bolso esquerdo da mochila. Paulo era o assunto preferido na vizinhança do bairro por se comportar de uma maneira diferente. O que poderia deixá-lo aflito se não a semana de provas? O sino toca, é sinal de que mais um dia de aula se acaba por ali. Paulo solta suspiros de alivio.
Na noite daquela segunda-feira como de costume era hora de se encontrar com algumas meninas, que pelo contrário do que muitos pensavam, eram somente algumas das poucas amigas que ele contava o que havia passado durante o dia. Claro, as pessoas achavam praticamente impossível ver o garoto se relacionando com alguma menina. Ao contrário do que os meninos de sua idade, o garoto era desencanado demais pra ficar pensando em paquerinhas. Logo que o assunto fosse amor, tratava logo de mudar rapidamente de assunto. Temo que o termo amor causava frisson dentro de Paulo.
Na madrugada seu pensamento era sempre muito fértil. Então, Paulo colocou sua música favorita e sentou-se no canto do chão do seu quarto e ficou ali alguns minutos observando a cor das paredes e criando cenas que não passavam de algumas imaginações, ou porque não dizer que ele gostaria de viver? Ele estava gritando dentro de si. Paulo era o único que podia resmungar com motivos.
Talvez, a única verdade por trás disso tudo é que talvez o garoto fosse dopado de carência, da casca que ele tinha por fora e da fantasia que ele insistia em vestir...
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