É madrugada novamente na cidade universitária Santa Maria, RS. As boates estão cheias e as mesas ocupadas. Todos, depois de uma semana intensa e exausta, pareciam estar onde realmente gostariam de estar. Ninguém supeitava mas o perigo vinha logo depois dos risos e drinks bebidos. Uma pequena multidão começa a se aglomerar na pista Free da boate ao se deparar com um fogo alargador por ali. A fumaça nunca foi tão negra, nunca uma nuvem foi tão nevasta. Os seguranças por sua vez, trancafiando todos os jovens por uma única razão: o medo de que saíssem sem pagar. A saída era só e o medo vinha por todos os lados
Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça. Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda. Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência. Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa. Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram. Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo? Mais de duzentos e cinquenta jovens que não receberam o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos. Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada, ou entender como se distanciaram tão de repente do futuro...As palavras perderam completamente o sentido agora.
Fabrício Carpinejar.
Brasil, um país onde dinheiro é mais importante que uma vida!

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