sábado, 8 de dezembro de 2012

Um pouco das lembranças


Começos me fazem ter borboletas no estômago. Ok, finais também. Mas quando você termina alguma coisa outra acontece instantaneamente, então sem maluquices por favor. Não tenho muitas lembranças da minha infância. Tanto é que, quando vejo meus amigos contando histórias eu fico um pouco com inveja. Eu queria poder ter mais coisas pra contar pros meus filhos, netos e agora vocês leitores e leitoras. 

Acho que a melhor maneira pra lembrar de bons momentos é escrevendo um texto. Vasculhando as gavetas velhas daqui de casa e olhando algumas fotos, consigo lembrar dos passeios à praia que fazia com meus pais e amigos. Era uma felicidade só. Ficava sempre na janela, procurando achar o pedacinho do mar perdido nessas ruas praianas que existem.  Como eu sinto saudade de como eu me sentia naquela época. Pode pareber bobagem, mas poucas coisas me deixavam animado quanto contar mentalmente as horas pro primeiro dia de aula. Era um saco ficar o dia todo em casa sem nada pra fazer. Adorava poder ir na papelaria escolher os cadernos que iria usar no próximo ano. Ficava horas enrolando minha mãe, até hoje ela me faz pagar mico em livrarias. 

Demorava horas pra poder escolher a capa do meu caderno. Minha mãe, como toda mãe econômica que se preze, costumava estipular um valor e eu tinha que me virar pra conseguir os cadernos mais incríveis. Então eu próprio customizava meu caderno. Fazia coleções de adesivos, que até hoje nem sei o porque de ter colecionado aquilo, nunca sabia onde colocar as gravuras. Dias antes do início das aulas eu já começava a dar os primeiros rabiscos no caderno. Sei lá, acho que via meus cadernos como uma maneira do meu ano ser melhor, diferente dos outros. Era só mais uma maneira das pessoas repararem em mim e no meu caderno pra eu não lanchar sozinho na hora do intervalo. 

Mas com o fim da hierarquia do fundamental na minha vida percebo que as coisas estão diferentes. Mais um defeito meu; não perceber que as coisas estão mudando ou já não são como antes. Que grande besteira né? Hoje depois disso tudo percebo que ser feliz nem sempre é ter o caderno mais caro, ser o artilheiro do time de futsal da sala ou sei lá, merendar com um grupo grande de amigos. Ser feliz é ter um caderno completamente diferente do resto da turma, e independente do preço ou da beleza, achar aquilo incrível.

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